Brumado menestrel [Audiopoema]

 

Música, poema e leitura | Music, poem and reading: Murilo Guimarães

*
Uma personagem evoluiu em meio à bruma
e fez este poema da minha ânsia matinal:

“por trás do júbilo imbecil
dos integrados à sociedade
e à moderna tecnologia,
subsiste a fome estreita.
Dor contrita muitas almas espreita.
Vidas derribadas, esvaecidas no lodo da história.”

Minha cara expressiva com raiz silvícola
enfim compreendia
a vaziez da minha existência
embuçada até eu ler
os restantes versos do brumado menestrel:

“infâncias sujas, maltratadas, desviadas,
açambarcadas aos cinco anos de idade
e antes dos dez o sexo, o balázio e a cachaça.
Descarado menoscabo brasileiro
das suas absolutas misérias”.

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