Lembra-te, amor!

Meu amor,
por que tu ainda ages como antes,
por que sorris, acordas,
tomas um café da manhã,
pegas o ônibus e vais trabalhar?
Por que dormes tão bem, por que sonhas,
quando já não te resta sequer uma centelha daquilo que foste?
Com que raios ainda constróis estes castelos,
onde alojas os teus reis, rainhas, princesas e divas?
Qual o quê tu ainda crês nos deuses dos outros,
com a mesma graça com que trocas uma ideia com o teu vizinho fascista?
Não mordes a língua quando cantas esta canção maliciosa, sexista?
Sentes nada ao passeares pelo shopping e desejares aquela blusa maneira?
Quantas horas por dia gastas a malhar o corpo,
a surrupiar do teu corpo o direito de não habitar uma jaula?
Lembra-te que o rio Doce morrera,
lembra-te da transmulher apedrejada na via pública,
lembra-te do indígena queimado vivo numa rua de Brasília
e do menino negro alvejado nas ruelas do Rio,
ou da Dilma, única pessoa em quem podias confiar,
juntamente contigo sufocada por um comitê de abutres machistas.
Lembra-te que a tua vida te foi sonegada,
apesar dos meninos e meninas da geração Alpha.
Lembra-te, amor: tu já morreste!
Antes que renasças, hás de fazer nada.
Hás de te negar a voltar a ser quem tu eras,
hás de abdicar desta ilusão egoísta,
hás de te juntar ao Movimento dos Sem-Terra,
de te associar aos médicos sem fronteiras
e aos jornalistas livres.
Hás de te tornar invisível
e com esta máscara, esta que tu vestes agora,
armarás a arapuca onde os abutres,
especialmente os juízes e os pastores,
sofrerão as desditas que eles reservaram a ti.
Interrompe agora o que fazes, ergue o punho,
toma um rumo oposto ao que seguias até agora.
Quebra a internet, fecha os mercados.
Só tu te podes salvar.
Afasta-te da pecha narcisista,
evita sucumbir-te,
boicota o que te é contrário.
Se até o rio Doce morreu,
tu também já não existes, amor.
Apercebe-te da vergonha alheia.
Acorda, que já não há uma vida para ti.

Por que dormes tão bem, por que sonhas,
quando já não te resta sequer uma centelha daquilo que foste?

Com que raios ainda constróis estes castelos,
onde alojas os teus reis, rainhas, princesas e divas?
Qual o quê tu ainda crês nos deuses dos outros,
com a mesma graça com que trocas uma ideia com o teu vizinho fascista?

Não mordes a língua quando cantas esta canção maliciosa, sexista?
Sentes nada ao passeares pelo shopping e desejares aquela blusa maneira?
Quantas horas por dia gastas a malhar o corpo,
a surrupiar do teu corpo o direito de não habitar uma jaula?

Lembra-te que o rio Doce morrera,
lembra-te da transmulher apedrejada na via pública,
lembra-te da macacada inocente queimada viva,
feito o indígena na rua de Brasília,
feito o menino negro alvejado nas ruelas da cidade,
ou a Dilma, única pessoa em quem podias confiar,
juntamente contigo sufocada por um comitê de abutres machistas.

Lembra-te que a tua vida te foi sonegada,
apesar dos meninos e meninas da geração Alpha.

Lembra-te, amor: tu já morreste!
Antes que renasças, hás de fazer nada.
Hás de te negar a seres quem tu eras,
hás de abdicar desta ilusão egoísta,
hás de te juntar ao Movimento dos Sem-Terra,
de te associar aos médicos sem fronteiras
e aos jornalistas livres.

Hás de te tornar invisível,
para, com esta máscara, esta sim,
armares uma arapuca onde os abutres,
especialmente os juízes e os pastores,
sofrerão as desditas que eles te reservaram.

Interrompe agora o que fazes, ergue o punho,
toma um rumo oposto ao que seguias até agora.
Quebra a internet, fecha os mercados.
Só tu podes salvar-te, meu amor.
Afasta-te da pecha narcisista,
evita sucumbir-te,
boicota o que te é contrário.

Se até o rio Doce morrera,
tu também já não existes, amor.
Lembra-te desta vergonha alheia,
acorda, que já não há uma vida para ti.

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