O medíocre

Dizer o óbvio enfaticamente
faz um pensador medíocre
sentir-se um Galileu Galilei.

Como se da sua língua afiada
brotasse uma nova matemática,
ou se uma alquimia transcendental
enfim nascesse
das suas palavras perversas
de ânsia destruidora.

Como ele faz isto, eu não sei.
Tampouco me interessa
ajoelhar-me ao seu lado
frente ao altar corroído
da sua igreja caótica.

Posso garantir, a meu turno,
que tal petulância vaga e presunçosa
é a mesma dos carrascos de outrora,
cuja face escondida iniciava
fogueiras como a de Joana D’arc.

A obviedade fulminante
daquela faísca primordial,
da lâmina da guilhotina,
do nó da forca,
da torpe palavra
enfaticamente lançada
boca afora pelo pensador medíocre
que se enxerga um Omar Khayyam.

Como ele faz isto, não sei.
Porém, de nada me importa
a sua petulância caótica,
ou a sua ânsia perversa.

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