Um Periquito

Um periquito cruzava o céu de Lisboa
Verde como outrora os periquitos da minha rua.

Criávamos um deles em casa.
Os adultos cortavam-lhe as asas.

Os de cá têm as asas inteiras.
Falam entre si, cantam bastante.
São nômades pelo país.

Descendentes dos americanos
há séculos vendidos
nos mercados de exotismo burgueses.

Depois de uns mortos, de tantos presos
e de outros com gravidade feridos,
houve filhotes que conseguiram vingar.

Suplantaram agruras europeias
e insistiram pelos céus lusitanos.

Minha liberdade torna-se verde
para eu exprimir esta ideia:

Solitário, cantante, acidioso, arrebatado,
o periquito ao bando retardatário
levou a minha mão
ao meu chacra básico,
demasiadamente terreno.

Bem mais do que eu
sabe este periquito, porque voa,
porque cedo cantou
e só então foi posto à prova na vida!

Um periquito brasileiro em Lisboa.
Antimoniado de um homem taurino
a arrastar-se, sôfrego e empedernido.

O periquito cantava
a chamar a atenção do bando
que à sua frente seguia.

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