Sinapses

São luzes dentro da cabeça,
ultrapassando membranas,
formando sinapses,
tecendo sonhos.

Toda a vida gira na cachola,
feito barata tonta, que voa
e não mais que de repente
em emoção se revela.
Simples e perseverante,
produzida por lampejos.

Um sopro de pensamento
e a latente faísca aflora.

Quantas vezes estoura,
impaciente, a memória
relegada, a acentuar
a insanidade da gente?

A vida é impulso intransigente.
Ora entrega sementes numa galeria obscura,
ora cinzas numa via tortuosa.

Desenhos de neon
na gambiarra pulsante,
numa noite iluminada
na cidade desperta.

Fagulha salta destemida
e se preciso repete,
consciente, sua piscadela
de vagalume vivente.

Até que a morte acarrete
o fim da jornada
e a estrada fluorescente
torne-se desértica.

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