Descanse em paz, menino Vítor!

Um homem atravessou a rua, foi até onde uma mulher amamentava o seu bebê, arrancou-o dos seus braços e o degolou.

A tal ‘opinião pública’ brasileira deu pouquíssima atenção a esta notícia aterradora. Muitos correram a declarar que o assassino é “louco”, obviamente, com o apoio da família e dos advogados dele.

A mulher e o bebê são indígenas. O “louco” tem 23 anos e compõe a classe média ‘branca’ de uma cidade ao sul do Brasil.

Consegue imaginar o que aconteceria com os nossos corações (sim, leitor/a, com o seu e o meu corações) se o bebê fosse branco e o assassino, indígena, como a mãe vítima perguntou hoje?

O nosso problema não se encerra no cinismo de nos revoltarmos com alguns crimes e nem ligarmos a outros. O nosso problema amplifica-se com esta seletividade, na medida em que ela nos torna cúmplices da barbárie. Comportarmo-nos como se houvesse categorias de cidadãos brasileiros mais extermináveis do que outros.

É que o rapaz “louco” não queria matar um bebê, ele escolheu matar um bebê indígena. Isto diz muito sobre a sua própria “loucura”, porém diz muito também sobre a nossa cada vez mais inadmissível cumplicidade para com o genocídio indígena no Brasil.

Descanse em paz, menino Vítor Kaingang!

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