Ricos e Pobres em A Regra do Jogo

“A Regra do Jogo” é um dramalhão ‘para lá’ de reacionário, embora seja uma ótima obra de teledramaturgia.

Seu argumento principal tem a ver com a ‘bandidagem’ nos negócios de uma família ‘trilhardária’, ‘oligarca’ do ramo farmacêutico.

Esta novela, como tantas outras, também nos leva de volta ao século XIX.
Entre os símbolos de poder econômico estão as patentes biotecnológicas, no lugar do gado, da indústria de manufaturados ou do café.

Tentando enxergar com os olhos deste escritor de “teledramaturgia”, pergunto-me: o que significa a presença repetida do José de Abreu, militante petista das redes sociais, com os seus personagens estão em posição antagonista? (É sempre bom lembrar que novelas são obras de escritores. Cada capítulo ‘nasce’ num texto escrito. São montes de ‘cenas’, todos os dias. E pode haver muita intencionalidade).

Nesta atual, Abreu/Gibson Stuart está em oposição a Belisa, sua neta. Enquanto isto, Tóia, herdeira da patente do remédio mais caro do laboratório pertencente à família de Gibson Stuart, segue em busca de corrigir o seu passado.

Elas são “heroínas” de uma trama na qual pobres e ricos assumem papéis muito definidos. A bandidagem, representada pela “Facção”, é uma mancha relacionada com a favela, sempre a invadir e conspurcar a sala de estar dos ricos. ainda que Gibson, de pensamento conservador e atitude machista e dominadora, suscite muita desconfiança, como também muita ojeriza. Sem duvida, setores sociais brasileiros podem identificar-se com suas posições, porém na novela elas são sempre rechaçadas pelos demais personagens.

No “Morro da Macaca”, núcleo acessório de “A Regra do Jogo”, “favelados” desfilam motos, ganâncias, falências, ambições e medos.

A maioria dos pobres que aparecem na tela são alheios à “Facção” criminosa. Todavia, o medo maior é do vizinho bandido, travestido, nesta obra, de cientista, militante “esquerdista”, “comunista’.

“Malandros e Heróis”.
Ode à meritocracia.

Balela fundamentalista da velha direita. Ainda assim, trata-se de excelente teledramaturgia. Por isto mesmo, espero que, até o seu final, eu venha a mudar de ideia, surpreender-me, a ponto de fazer leitura mais positiva sobre o argumento de “A Regra do Jogo”.

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2 comentários sobre “Ricos e Pobres em A Regra do Jogo

  1. Ainda tenho essa dúvida sobre o fim da novela, como os bonzinhos e malvados vão acabar…
    Mas acho que o Zé de Abreu tem se deliciado em atuar como os trolls que o atormentam falando muito besteira e no papel de vilão da história…

    A associação do papel do Romero com o Freixo eu acho ainda pior!!

    Pelo menos não houve ainda a tentação de criar um juiz que usa camisas pretas que prende a facção já é um avanço vai… rsrsrs

  2. Acho que o Gibson deu uma virada interessante. Pena aqueles casais da favela, – tina, rui, indira e oziel -, serem um saco.
    Nossa, se houvesse juiz preto seria mesmo um enorme pagamento de recibo 😀
    Mas o Romero é mesmo uma personagem controverso. Minha preocupação também era o neto do Gibson ser um palerma de esquerda, mas ele sumiu… Enfim, com ambiguidades assim, fica difícil defender a novela.

    Valeu pela visita. Volte sempre, rafael!!

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