Nômades e Bravos

No sertão, homem bruto conserva seu luto.
Astuto mameluco educado a viver pelo comércio.

Na cama ou na grama, nômades e bravos
bateram-se, com prazer ou a revés.
Surgiram mamelucos a se tocar com os pés.
No lombo do cavalo, terra adentro, perdição e conquista.

Não passou muito tempo, logo estavam nascidos
menino e menina que mais tarde encontraram a África.
Das diásporas e dos encontros, nascia um ser meio turco, meio japonês,
enquanto o verde oliva lusitano se atolava num charco de dividendos.

Explorar, deter ou somar a cabeça, o tronco e os membros
do homem bruto, aciganado, mameluco venal do sertão,
sobre o qual ainda recai a questão: “Já se casou?”
Ainda não. “E tem dinheiro?!”, um outro lhe pergunta.

Quem passar destas serras dará com probos e marginais.
Índio desta nação é o pai, cuspimos todos na cara do qual.
Mãezinha arreda a cadeira para se com os netos sentar.
Pai velho apruma a barba, tristeza e miséria, nova cusparada.

Por dinheiro se casa, por dinheiro se come, por dinheiro se fia:
dignidade comprada é a sua sina, mameluco, sabia?

Pelo que você produz medem a sua cidadania.
O quanto você compra diz o quanto você vale.

Poema escrito a 06 de Abril de 2006.
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