Minha Primeira Vez no Banco da Praça

No começo da noite, ao voltar de um passeio em volta da muralha ancestral, sentei-me num dos bancos da Praça do Giraldo.

Duas raparigas nos seus vinte e poucos anos, muito bem cheirosas, sentaram-se ao meu lado, para que uma delas falasse ao telefone com a mãe. Queria pedi-la para ir ao whatsapp ver a mensagem que alguém lhe havia mandado. Depois, perguntou-lhe sobre o “João”, porém a mãe parece ter-lhe dito que ele saíra para jantar em casa de amigos. A filha, aparentemente enciumada, esbravejou, enquanto se levantava. Antes da mãe atender ao telefone, as duas jovens falavam sobre como chegariam à “Queima das Fitas”.

Minutos depois, chegou um homem com cerca de sessenta anos. Pediu-me licença para sentar-se também e lá ficou, silencioso, como eu, a reparar num grupo de turistas russos, que tentavam tirar fotos de si mesmos com o edifício do antigo banco de Portugal ao fundo. Esperei que fosse um momento para um comentário furtivo, mas o homem mantinha-se impassível, taciturno. Saiu em seguida.

Chegaram duas senhoras, a falarem sobre uma terceira mulher. Uma delas acendeu um cigarro. Continuaram a falar mal sobre a tal mulher. Citaram a sogra, a irmã e os filhos desta. A fumante, quando falava, fazia vibrar a madeira do banco, tão grave era a sua voz. Saíram assim que o cigarro acabou.

Deixei o banco a seguir. Reparei nas pessoas sentadas pela praça, a fazerem o mesmo que eu: observar. Algumas pareciam estar a pensar na vida. Tomara, logo, logo, confiem-me alguns deles.

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