Da Autofagia do Capitalismo

Um exemplo muito evidente da sanha auto-predadora do sistema capitalista pode ser encontrado numa formulação que li ontem, no jornal online português, Observador. Segundo o cientista político Emmanouil Tsatsanis, “a posição dos partidos nas questões europeias até pode ser agora mais importante do que uma posição de direita ou de esquerda”.

Se considerarmos o teor de contestação dos interesses das ‘oligarquias’ econômicas como um dos indicativos de posicionamento individual ou institucional à esquerda dos sistemas políticos em vigência em determinado ‘tempo-espaço’, veremos que, para muitos europeus, a salvação do seu país consiste em destruir a Europa. No sul deste continente, esta percepção vem crescendo entre os eleitores e deve pautar o novo conjunto de demandas sociais, para a próxima década européia, especialmente em Portugal. Haverá lugar para mais experiências de austeridade neoliberal, depois dos sucessivos manifestos de “bons alunos” frente ao líder regional, a Alemanha?

A Europa deve mudar, deixar de ser, como sempre, uma perversa ‘entidade’ financista, com ‘riqueza’ obtida à custa da miséria popular. Caso contrário, ela acabará. Não se pode dizer que seja uma expressão forte da luta terminal do sistema capitalista, mas dá a medida quase exata de como a dominação exercida por este sistema econômico sobrevive ao morder e assoprar o pobre e, como consequência, exercer as mesmas injecções dolorosas contra si mesmo.

O ‘povo’ é uma incógnita ainda mais poderosa, precisa parar de jogar o jogo daquilo que o oprime. A partir do que disse o Karl Marx, e isto não é mais uma novidade há décadas, pode-se inferir que as ‘crises’ são os principais alimentos do capitalismo.

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