Sucumbência

A lua cheia magnífica esperava-me à saída da estação Alameda. Eu fui o único hipnotizado por ela? Tímida entre nuvens, anunciava um futuro que não será apenas meu. Lisboa, porém, pareceu-me ignorá-lo. Fui eu seu único arauto, seu lobo sozinho? A lua cheia magnífica iluminava a cabeleira negra da jovem absorta que, entretanto, seguiu seu caminho a olhar para os próprios pés. Ao rapaz que corria para o metro, eu quis pedir que a notasse. Magnífica e ignorada, misteriosa e imponente, presente e futura. A lua magnífica parecia percorrer vários mundos e meu olhar foi o único a bebê-la? O velhote sucumbiu ao seu cigarro, a mulher permaneceu atenta ao que lhe diziam ao telefone, o jovem não retirou os fones de ouvido, o pai não a mostrou à pequena filha. A lua cheia magnífica esperava-me à saída da estação e eu não sei quais outros olhares a amaram tanto quanto o meu, enquanto a cidade e a jovem absorta seguiam em suas rotas à beira do abismo.

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