O Brasil não é a Grécia

Em teoria, o Partido dos Trabalhadores – PT poderia ter ‘entrado no governo’ do Brasil, em 2003, com o mesmo ímpeto reformista que o Syria, na Grécia de 2015. Todavia, o Brasil não é a Grécia, nosso 2003 não era o 2015 da Grécia, o PT não encontrou um Partido Socialista – PASOK e uma ultra neoliberal Nova Democracia conjugados e executando medidas neoliberais, nem havia uma Aurora Dourada trazendo a ala mais à direita da Nova Democracia (os Gregos Independentes) como uma alternativa de coligação. A Grécia tem uma economia menor que grande parte dos estados brasileiros e é bem mais homogênea culturalmente do que a Bahia, por exemplo.

O desafio de driblar o pensamento neoliberal está colocado a todos os países, desde antes de 2008. Penso que o maior problema das esquerdas, não apenas do Brasil, mas da Itália e de Portugal, é tentarem fazer esta colagem com a conjuntura grega muito diretamente, buscando, inclusive, imprimir em si próprias algum benefício pela vitória do Syriza.

O Syriza é um fenômeno polítco que emergiu na Grécia em 2009, enquanto a Espanha precisou de mais cinco anos para parir o seu Podemos. Portugal ainda tateia no escuro neste sentido. A Italia mantém-se refém do personalismo e também não demonstra ter um projeto de esquerda consistente.

Eu acredito, firmemente, que a Frente Popular pelas Reformas Populares, no Brasil, pode ser o início do nosso próprio fenômeno político da pós-‘social democracia’. As iniciativas nacionais são tão distintas entre si que, no Brasil, como em Portugal, os partidos da centro-esquerda, que poderiam ser considerados analogamente ao PASOK, que praticamente faliu nestas eleições da Grécia, ainda apresentam alguma vitalidade e as novas forças à esquerda terão que dividir a cena política com eles por algum tempo. O que não deixa de ser bom, afinal, poderemos assistir a uma transição rumo a um socialismo pleno sem termos que passar por um mandato de direita, como a grécia com a Nova Democracia, por exemplo.

Se tudo for assim tão linear, sem que as revanches judiciais das oligarquias nacionais logrem êxito nos próximos anos, acho que estamos num bom caminho, apesar de tudo (o que está aí). Continuo acreditando que um dos maiores desafios para as novas forças de esquerda brasileiras é o de recriarem as culturas políticas nos estados e municípios, ainda muito baseadas em clientelismo de todas as ordens. Afinal, o Brasil não é a Grécia, ainda que no Brasil, em termos de prefeituras e casas legislativas país a dentro, 2015 não se difere tanto de 2003.

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