Nous Ne Sommes Pas Charlie Hebdo

O meu 07 de janeiro de 2015, em tópicos:

Celebrei o ‘aniversário’ do meu pai, Raimundo Rodrigues Guimarães que, há 30 anos, partiu de volta para o plano espiritual;

Antes do meio dia, todo o ‘Ocidente’, em especial o “europeu”, teve um diálogo forçado com os monstros abjetos que ele próprio construiu;

Imersas nas generalizações enganosas, sem se cansarem de se autoenganarem e de tentarem arrastar os incautos nas suas enganações, as imprensas de diversos países tiveram que ouvir de bocas mais sensatas a informação básica a que elas jamais quiseram se referir: nem todo fundamentalismo é religioso e nem todo religioso é fundamentalista. O buraco é bem mais embaixo, as simplificações podem ser tão violentas quanto os atentados que motivaram o confronto ideológico que tomou lugar nas redações dos jornais e telejornais, ao longo deste fatídico 07/01/15;

Foi neste 07 de janeiro, portanto, que todos nós tivemos que pensar sobre as razões que levam um jovem a se tornar num “radical”, radicalismo este encoberto por discursos religiosos combinados a discursos políticos de caráter conservador;

Ao fim deste dia, muita gente já se havia dado conta de que falta compromisso dos Estados com as políticas sociais, especialmente políticas culturais que busquem criar alternativas opostas àqueles discursos que sustentam a disposição de jovens ignorantes de matarem, seja um grupo de cartunistas de esquerda francês que, com todo o direito, debochava das religiões e dos extremismos de direita, seja um homossexual brasileiro que, com todo o direito, buscava viver seus desejos eróticos;

À noite, vi que já existe também quem faz questão de diferenciar o humorista “politicamente incorreto” que ri de forças opressoras – religiosa ou político-partidária – do humorista “politicamente incorreto” que ri do oprimido – pela pertença étnica, pelo gênero ou pela orientação sexual. Este tipo de humor tem sido o maior disseminador do ódio nas sociedades ‘ocidentais’.

Vou dormir e pedir aos deuses que neste 07 de janeiro nasça – refletida na memória da docilidade do meu saudoso pai – uma força solidária contra toda e qualquer expressão de ódio, especialmente o ódio difundido no bojo de ações bélicas impetradas por Estados ‘desenvolvidos’ deste ‘Ocidente’. Deste ‘Ocidente’ que hoje chora como se, há bem mais de 30 anos, houvesse ficado órfão de um deus qualquer, seu pai.

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