Autoridade

Um menino com cerca de cinco anos deixou alguns amiguinhos a rodarem no brinquedo da Alameda obedecendo à mãe, que lhe chamava para comer bolachas.
Enquanto as comia, encostado ao banco da praça, uma delas caiu ao chão.
A mãe apontou-a e lhe disse para jogá-la fora. A criança foi até um canteiro, onde pousava um arbusto sobre a grama e, antes de lá dispensar a bolacha caída, ouviu da mãe uma repreensão.
Ao invés de se dirigir à lixeira próxima, voltou ao lugar de onde partira, a protestar frente à sua provável progenitora.
Esta lhe explicou, apontando para o seu nariz, que as formigas iriam farejar a bolacha e acabariam por comer também a plantinha, até destruí-la.
A criança parou por um instante, olhou ao alimento sujo em suas mãos e falou, voltando seu olhar à planta no canteiro: “é igual quando você diz para eu não levar comida à cama, que as formigas vêm me comer à noite?”. A mãe, “sim”. Então, “eu sou igual a uma planta?!”, disse o menino a olhar a mulher, que ria ensimesmada e orgulhosa, enquanto o levava pela mão até a lixeira. De lá, ele seguiu saltitante de volta aos balanços e rodopios com outras crianças, nos brinquedos públicos.

Não sei se um dia chegaram a se desculpar com as formigas.

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