O Poeta

Escultor de mentiras francas com o barro da ironia
Matador de pombas mancas no centro da cidade
Vendido aos proprietários do vale da estultícia
Casado com a filha fértil de um patrono mafioso

Entupidas as vísceras de sua musa
odorífera presunção incorpora o quarto
O mofo à margem da palavra, ele o arranca
para disfarçá-la, matreiro, com guilhos e guirlandas

Maldoso tratador de cadelas prenhes
Presença constante nos cultos à preguiça
Exímio torturador de bebês contentes
Artífice da egolatria d’uma estirpe ignara

Cai desembestado pelas ladeiras da altanaria
anuncia boa nova que tampouco se realiza

Diz-se do poeta um deus disléxico
que não passa d’um estólido prolixo.

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